Um oásis tem como referencia um deserto como envolvente!
E, na verdade, existe um deserto envolvente aos Olhos da
Fervença, e, isto vem na sequência do título "Um oásis nos Olhos da
Fervença" in Independente de Cantanhede de 06 de Fevereiro de 2001.
Uma obra, que, ao ser pensada e executada, vem no sentido de
alterar fluxos turísticos, com os impactos que daí advém no sentido
económico, com novas oportunidades de negócio em novas localizações;
vantagens e desvantagens daí resultantes. Lembro o pensar nos impactos
negativos nos habitantes das redondezas, e desde já o pensar e planear nas
acções preventivas. O aproveitamento no sentido de usufruir um bem que é de
todos, deve ser pensado e ponderado no sentido da não degradação, e em
especial da não hipoteca da herança que fatalmente vamos deixar. Uma
utilização de banalização será decadente, trazendo o mau gosto e a não
qualidade da utilização excessiva e indiscriminada do recurso, meio, espaço e
tempo.
Penso que não será o caso da piscina fluvial dos Olhos da
Fervença, tal qual o andamento das coisas me têm dado a mostrar, onde as
vantagens por certo pesarão mais que as desvantagens, devendo estas, serem
minimizadas antes de se fazerem notar.
Mas voltando ao oásis e ao seu, inevitável, associado
deserto: o deserto existe, e na verdade, só mesmo o oásis ilude a paisagem.
Existe na falta da definição clara do que se pretende para o bem precioso que
ali brota. Que planos e estudos se elaboraram ou se estão a elaborar para saber
na realidade de onde e como ali brota toda aquela água. E se tudo isso já foi
feito, eu não sei se foi, que planos e acções de monitorização para a
preservação foram ou estão a ser implementados, no sentido da preservação e
manutenção daquele fluxo, quer na qualidade, quer na quantidade, na nascente e
na distribuição domiciliária? E mais pergunto, qual o custo de bombear um
litro de água? Conheço aquele local desde menino, e tenho acompanhado com
algum interesse (pois o local faz parte da minha infância), todo o aumento de
capacidade de bombagem instalada ao longo destes últimos trinta e tal anos,
dado que numa das minhas últimas visitas ao local em pleno Inverno, pelo ruído
das bombas , deduzi que o caudal que estava a ser bombeado era efectivamente
muito elevado. Pergunto assim , quantos metros cúbicos por hora estão
calculados, ou estimados , para perdas? E quanto custam estas perdas que se
reflectem nas facturas dos consumidores, na factura energética, equipamento e
instalações , sua manutenção, custos directos e indirectos de funcionamento
e exploração, além da diminuição do caudal que antigamente alimentava
muitos moinhos e agora irá alimentar a praia fluvial? Que plano de acções foi
elaborado, ou se pensa elaborar, ou como está, ou se está, a ser executado (se
é que existe), para a diminuição dessas perdas? Ou será que esses custos já
estão bem calculados e têm um valor que não merece todo este tratamento e
preocupação? Ou então, todas as acções já estão em marcha, e eu não
tenho conhecimento delas (e se calhar até nem tenho que ter na forma de pensar
e actuar de alguns), e tudo o que escrevi não passa de um equivoco, ou então o
título oásis nas Olhos da Fervença está muito bem aplicado, pois se houver
vida e saúde, vou passar, por certo, uns bons momentos nos Olhos da Fervença,
enquanto a mãe natureza for aguentando o deserto que é aplicado na sua
gestão.
Manuel Ribeiro